Você tem honrado sua história?

Hoje eu quero te fazer uma pergunta: você tem honrado a sua história?
Explico: neste último sábado foi minha formatura – ué, Morena, nem sabia que você estava fazendo faculdade.. – pois é, eu não estava! Faz 4 anos que terminei este curso, mas nunca fui buscar meu diploma, afinal – não me julgue mal – para mim era só mais um papel que não faria a mínima diferença em minha vida.
Explico 2: eu acredito que apenas o que eu faço com o que aprendi e como aplico meu conhecimento para o bem é que pode fazer a real diferença no mundo, e não um simples papel. Maaas, faz parte do processo, não é mesmo?! O que aconteceu foi que, quando quis contratar uma estagiária em administração ano passado, fui impossibilitada porque me faltava justamente o A4 assinado. “Fácil” – pensei eu – “é só colar grau em gabinete”. Béééé! Por mudança na política interna da faculdade, não era mais permitido fazer isso sem um “bom motivo”, como uma doença terminal, ou algo assim. Só para você entender: na minha outra graduação eu fiz minha colação em gabinete e fui numa pizzaria depois, com preguiça da beca e função de cerimônias burocráticas.
Ótimo, se você não parou de ler até agora ou você está me amando ou, o mais provável, odiando. “Quem ela pensa que é para menosprezar algo tão sério?!”
Sabe quem eu sou? Uma pessoa que quase nunca se permitiu celebrar (pelo menos da forma tradicional) as próprias conquistas: ou porque foram pequenas demais, ou porque custam demais, ou porque, porque, porque… Inúmeras justificativas que escondem o quanto eu não me permito ou não me acho merecedora. Já até busquei uma lógica para isso em consultório, e o mais perto que cheguei de uma resposta foi um “trauma” intrauterino, mas nem sei se isso é (a única) verdade. Minha mãe, tadinha, não teve uma festa de formatura porque euzinha aqui nasci dois dias depois de sua colação de grau no curso de Psicologia da UFSC…meu pai era mais duro que um osso duro de roer e não tinha dinheiro para bancar o parto & a festa, e como meu avô era pão duro (que Deus o tenha), não deu esse presente pra filha. Ou seja, eu explico pra mim mesma que, da alguma forma, me senti culpada por ela não ter realizado esse sonho, e não me permito. Entendeu meu drama?
Ok, ok.. então lá fui eu, contrariada, participar de uma colação de grau conforme manda o figurino, com beca, meia preta, cabelo feito e tudo! Tá, tudo bem, nem “tudo” que manda o figurino: não contei para quase ninguém da cerimônia e não convidei nem as avós para ir lá babar pela neta. Cheguei hiper atrasada, é claro, bati poucas fotos e fiquei lá, esperando o tempo de entrar enquanto observava a emoção dos outros formandos – nenhuma alma viva conhecida ali no meio, óbvio. Fiquei meio sem entender a expectativa das meninas que estavam ao meu lado, já incomodada com o calor da beca e os grampos na cabeça, só pensando na comida mexicana que eu ia comer depois (Burrito de filé mignon é minha comida predileta, se um dia você quiser me agradar). Meio fria, né?!
Até o momento em que subi no palco e uma das oradoras, que eu adoraria citar seu nome, mas não tenho a mínima ideia de quem ela seja, começou seu discurso com uma citação de Shakespeare: “Se teus sonhos estão nas nuvens, não te preocupes, eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces” e não ouvi mais nada. Eu simplesmente desabei a chorar, daqueles choros meio incontroláveis mesmo, que te faz passar vergonha… Eu simplesmente relembrei minha jornada durante aquela faculdade, e como passei momentos difíceis nestes 2 anos.
A faculdade em si era tranquila, gostava das matérias, da maioria dos professores, fui líder de classe e conheci algumas pessoas memoráveis durante o percurso. No entanto, minha vida pessoal foi uma bagunça: eu perdi um dos meus melhores amigos de colégio e antigo namorado em um acidente de carro, eu estava em um trabalho que começava a odiar, com conflitos frequentes e desgastantes, principalmente porque os conflitos eram com pessoas que eu amava – minha família – , engravidei sem ter planejado, me mudei e tive (mais) uma gravidez super estressante, sem a estrutura necessária para manter a sanidade, onde dormia quase todos os dias às 2h30min da manhã e acordava às 6h para pegar 1h10min de fila na “Via Estressa” e na ponte (quem mora em Floripa sabe), chegava na faculdade muitas vezes atrasada e já num mal humor hormonal e, quando chegava na sala, vinha um sono indescritível, que era só piscar para dormir e, óbvio, não ouvir nada da aula. Mas cá entre nós, eu teria algumas mil histórias para te contar da minha gravidez, mas eu vou te poupar desse drama mexicano.
Ok, então, eu comecei a lembrar de tudo isso e percebi o quanto eu deveria ter honrado essa minha história, e que toda a dor e todo o aprendizado que tive, cada pedra que apareceu em meu caminho antes da faculdade, durante e nos 4 anos até aqui fazem parte do alicerce que estou construindo rumo aos meus sonhos, que estão beeem lá nas nuvens…e que se eles estão lá, é óbvio que o alicerce precisa estar muito bem estruturado, muito forte, para se manter firme e alcançar o que eu tanto desejo. Nossa, foi com dor que eu chorei, hein?! Dor, mas com uma enorme gratidão às pessoas que estiveram ao meu lado nesse caminho, principalmente meus pais e meus professores, que aturaram meu lado rabugento alguns meses, coitados. Só que chorei de alívio, também… ufa! Se Shakespeare, que é Shakespeare, diz para eu não me preocupar, quem sou eu para contrariá-lo, não é mesmo? Que alívio! Então quer dizer que tudo o que eu vivi faz parte da minha história, e que cada porrada que tomei valeu a pena, para construir quem eu sou hoje e fazer parte do meu amanhã?! Hmmm! Entendiiii!
E você? Tem honrado quem você é? O que você precisa relembrar de sua história com orgulho e porque você merece fazer uma reverência a si mesma?
Reverencie-se! Eu te convido.
MM

Comentários